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Pastorais e Movimentos



Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo - Missa do Dia Imprimir E-mail
por José Cristo Rey García Paredes   

A liturgia deste Natal convida-nos a contemplar o amor de Deus, manifestado na encarnação de Jesus… Ele é a “Palavra” que se fez pessoa e veio habitar no meio de nós, a fim de nos oferecer a vida em plenitude e nos elevar à dignidade de “filhos de Deus”.

A primeira leitura anuncia a chegada do Deus libertador. Ele é o rei que traz a paz e a salvação, proporcionando ao seu Povo uma era de felicidade sem fim. O profeta convida, pois, a substituir a tristeza pela alegria, o desalento pela esperança.

A segunda leitura apresenta, em traços largos, o plano salvador de Deus. Insiste, sobretudo, que esse projeto alcança o seu ponto mais alto com o envio de Jesus, a “Palavra” de Deus que os homens devem escutar e acolher.

O Evangelho desenvolve o tema esboçado na segunda leitura e apresenta a “Palavra” viva de Deus, tornada pessoa em Jesus. Sugere que a missão do Filho - ”Palavra” - é completar a criação primeira, eliminando tudo aquilo que se opõe à vida e criando condições para que nasça o Homem Novo, o homem da vida em plenitude, o homem que vive uma relação filial com Deus.


Primeira Leitura - Livro do profeta Isaías (Is 52,7-10)


A alegria pela libertação do cativeiro da Babilônia e pela “salvação” que Deus oferece ao seu Povo e à sua cidade anuncia essa outra libertação, plena e total, que Deus vai oferecer ao seu Povo através de Jesus. O nascimento de Jesus – o Deus que veio ao encontro do seu Povo e da sua cidade com uma proposta de salvação – diz-nos que a opressão terminou e que o “reinado de Deus” alcançou a nossa história.


7Como são belos, andando sobre os montes,
os pés de quem anuncia e prega a paz,
de quem anuncia o bem e prega a salvação, e diz a Sião: 'Reina teu Deus!'
8Ouve-se a voz de teus vigias, eles levantam a voz,
estão exultantes de alegria, sabem que verão com os próprios olhos
o Senhor voltar a Sião.
9Alegrai-vos e exultai ao mesmo tempo,
ó ruínas de Jerusalém, o Senhor consolou seu povo
e resgatou Jerusalém.
10O Senhor desnudou seu santo braço
aos olhos de todas as nações;
todos os confins da terra hão de ver a salvação que vem do nosso Deus.
Palavra do Senhor


Salmo Responsorial - Salmo 97


Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus.

Cantai ao Senhor Deus um canto novo,
porque ele fez prodígios!
Sua mão e o seu braço forte e santo
alcançaram-lhe a vitória.

Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus.

O Senhor fez conhecer a salvação,
e às nações, sua justiça;
recordou o seu amor sempre fiel
pela casa de Israel.

Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus.

Os confins do universo contemplaram
a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira,
alegrai-vos e exultai!

Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus.

Cantai salmos ao Senhor ao som da harpa
e da cítara suave!
Aclamai, com os clarins e as trombetas,
ao Senhor, o nosso Rei!

Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus.


Segunda Leitura - Carta aos Hebreus (Hb 1,1- 6)


Celebrar o nascimento de Jesus é, em primeiro lugar, contemplar o amor de um Deus que rompeu as distâncias e veio ao encontro do homem, apesar da infidelidade e das recusas do homem. No dia de Natal, nunca será demais insistir nisto: o Deus em quem acreditamos é o Deus do amor e da relação, que continua a nascer no mundo, a apostar no homem, a querer dialogar com ele, a encontrar-Se com ele, e que não desiste de um projeto de felicidade para o homem que criou.


1Muitas vezes e de muitos modos
falou Deus outrora aos nossos pais, pelos profetas;
2nestes dias, que são os últimos,
ele nos falou por meio do Filho, a quem ele constituiu herdeiro de todas as coisas
e pelo qual também ele criou o universo.
3Este é o esplendor da glória do Pai, a expressão do seu ser.
Ele sustenta o universo com o poder de sua palavra.
Tendo feito a purificação dos pecados,
ele sentou-se à direita da majestade divina, nas alturas.
4Ele foi colocado tanto acima dos anjos
quanto o nome que ele herdou supera o nome deles.
5De fato, a qual dos anjos Deus disse alguma vez:
'Tu és o meu Filho, eu hoje te gerei'?
Ou ainda: 'Eu serei para ele um Pai
e ele será para mim um filho'?
6Mas, quando faz entrar o Primogênito no mundo,
Deus diz: 'Todos os anjos devem adorá-lo!'
Palavra do Senhor


Proclamação do Evangelho, segundo João (Jo 1,1-18)


Acolher a “Palavra” é deixar que Jesus nos transforme, nos dê a vida plena, a fim de nos tornarmos verdadeiramente “filhos de Deus”. O presépio que hoje contemplamos é, apenas, um quadro bonito e terno, ou uma interpelação a acolher a “Palavra”, de forma a crescermos até à dimensão do homem novo?


1No princípio era a Palavra,
e a Palavra estava com Deus; e a Palavra era Deus.
2No princípio estava ela com Deus.
3Tudo foi feito por ela e sem ela nada se fez
de tudo que foi feito.
4Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
5E a luz brilha nas trevas,
e as trevas não conseguiram dominá-la.
6Surgiu um homem enviado por Deus;
Seu nome era João.
7Ele veio como testemunha,
para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele.
8Ele não era a luz,
mas veio para dar testemunho da luz:
9daquele que era a luz de verdade,
que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano.
10A Palavra estava no mundo
- e o mundo foi feito por meio dela - mas o mundo não quis conhecê-la.
11Veio para o que era seu,
e os seus não a acolheram.
12Mas, a todos que a receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus
isto é, aos que acreditam em seu nome,
13pois estes não nasceram do sangue
nem da vontade da carne nem da vontade do varão,
mas de Deus mesmo.
14E a Palavra se fez carne e habitou entre nós.
E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como filho unigênito,
cheio de graça e de verdade.
15Dele, João dá testemunho, clamando:
'Este é aquele de quem eu disse:
O que vem depois de mim passou à minha frente, porque ele existia antes de mim'.
16De sua plenitude todos nós recebemos graça por graça.
17Pois por meio de Moisés foi dada a Lei, mas a graça
e a verdade nos chegaram através de Jesus Cristo.
18A Deus, ninguém jamais viu.
Mas o Unigênito de Deus, que está na intimidade do Pai, ele no-lo deu a conhecer.
Palavra da Salvação.


Comentário - O relógio da vida


A vida é um relógio que não para e que constantemente nos traz seus presentes. A humanidade é objeto de uma chuva de graça incessante. O que se perde, em seguida é reposto. Chora-se os defuntos, mais a humanidade se alegra com uma multidão imensa e crescente de recém nascidos. O relógio da vida é o relógio do Natal.

Segundo estatísticas do Censo, a cada segundo nascem 2,3 pessoas; a cada minuto 141, capazes de encher um Boeing 737; a cada dia 203.024 capazes de encher dois estádios de futebol; a cada mês, 6,2 milhões como uma grande cidade; a cada ano 74 milhões de pessoas, como a população do Egito; nos cinco anos sucessivos o número de pessoas que nascerão serão 371 milhões de pessoas, quase como toda Europa.

Ante estes dados, se fica estupefato, atônito, assombrado. Todos estes nascimentos foram gestados no ventre das mães! Milhões de ventres dispostos a dar vida. São os grandes presentes com que a juventude - das jovens mães e pais - contribui à humanidade E com essas vidas recém gestadas e nascidas, chegam-nos multidões de surpresas. Aí estão implícitas tantas e tantas soluções, tantas e tantas novidades e surpresas. Esse é o grande recurso do Criador para “fazer novas todas as coisas”. Aí está escondida uma nova geração de santos, de políticos, de artistas, de cientistas, de obreiros, de artesãos, de corações dispostos a amar, a dialogar, a viver. Aí está escondida também, um possível desvio, uma possível ameaça: os assassinos, os violadores, os prepotentes e ditadores…

O Deus da Vida nos entregou a vida para que cuidemos dela. Um aborto mata e priva a humanidade de novas possibilidades. A humanidade deve ser hospedeira não só com os que consideramos estrangeiros, mais, sobretudo, com a vida que de uma ou outra forma nos é dá. A humanidade deve cuidar e educar esta vida. Fazê-la viável de todas formas, com todo o talento. Os bebês, as crianças, precisam de nossos cuidados, de nossos bens, de nossos sistemas educativos para crescer, desenvolver-se. A opção pelos pobres, é a maior urgência, tendo em conta, sobretudo, o potencial humano que nos foi dado e de cujo desprendimento redundará depois numa humanidade melhor.

Que bendita é esta festa do Natal. Sem saber do todo, porque, toda a humanidade a celebra. O mundo se veste de luz, de presentes, de sorrisos, de músicas globalizadas. E é que queremos celebrar uma humanidade regida pelo Relógio da Vida, pelo Natal que não cessa.

E entre milhões e milhões de recém nascidos, faz já 21 séculos, nasceu um Pequeno e muito muito especial. Deu-o a luz uma jovem de Nazaré. Seu ventre se converteu no primeiro lar de uma vida que vinha de Deus. Seu esposo cuidou dela e depois de sua criatura. Protegeu a mãe e o menino e fez à humanidade o maior favor. Nesse Menino nasceu Deus para nós. A Palavra de Deus, que tudo tinha criado, fez-se carne. José e Maria colaboraram para a viabilidade desse Presente divino. E apareceu Jesus de Nazaré. No céu cantavam… como seguem cantando quando nasce uma nova filha de Deus, um novo filho de Deus. Ele filho único dignificou de tal forma o nascimento, o seio materno, o processo do parto, a sexualidade feminina, que desde então reconhecemos que é bendito o fruto do ventre

Que bom ser partícipe
da mesa da Vida!
Que dita ter sido acolhido
num ventre de mãe
e ter podido despregar
a energia concentrada
naquela semillita dupla
masculina e feminina!
Que prodigiosa sexualidade
capaz de fabricar
esse milagre de rostos inéditos,
de possibilidades insuspeitas!
Bendito Deus da Vida,
que na vida tem seu melhor recurso
sua solução inédita,
seu presente!
E no meio de tanta exuberância,
chegou seu Filho, o mais belo
nascido de mulher,
Ele que se fez Caminho, Verdade e Vida.
A quem o acolhemos
nos dá a possibilidade
de ser filhos de Deus.
Terá algum vivente
incapaz de acolher a Vida?
"Faz 80 anos que lhe sirvo,
e nunca me fez mau"
(São Policarpo)


Bendita VIDA que nos dá a vida!